sábado, 9 de abril de 2016

Porta castanholas, amizades e coisas para aprender.

Eliana Abdo, uma professora e diretora de educação infantil ficou minha amiga através do trabalho com as Bonequeiras sem Fronteiras. Nunca nos vimos mas temos bastante coisa em comum, no entanto Eliana tem muito a mais. Ela tem uma gentileza quase gratuita com as pessoas, uma forma amorosa e amigável de ver as coisas e eu, sortuda, conto com sua simpatia, pelo que agradeço muito mesmo.
E seguindo esta sua inclinação para o que uma outra amiga minha chama de "mimar sem razão aparente", Eliana pediu meu endereço e me surpreendeu com uma caixinha cheia de pedaços de tecido que se não são a minha cara são a nossa!!



Sofri para tomar a decisão de colocar o primeiro deles na "roda", mas a função que lhe foi destinada justificava: com a bela estampa latina de fridinhas fiz meu primeiro porta-castanhola. OLÉ!




A execução carece de perfeição - por exemplo, as fridinhas ficaram de ponta cabeça!) mas... no peito dos desafinados também bate um coração, não é? Quem  quer perfeição não decide aprender a dançar aos 44, então, mais vale a feito do que o perfeito, adoro este lema!



E aí hoje eu relembrei  a  menininha de dez anos saindo orgulhosa de ônibus com sua  bolsinha escrita BALLET em letras floreadas. Assim me senti com meu porta castanholas, que aprendi a fazer com esta simpática "Ana de Pano"DALE!


Estou super empolgada com a dança flamenca e pude neste projeto simples juntar dança e costura, e celebrar as amizades que  vão surgindo no nosso mundo líquido. 


Gracias a la vida!! 

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Apanhador de sonhos: um projeto amoroso para fazer com os filhos

A amiga Bárbara Clemente, que também está com um filhote em férias, me enviou o link do artbarblog.com, repleto de ideias de atividades legais para fazer com as crianças. Imediatamente me apaixonei pelos APANHADORES DE SONHO, projeto simples e que vinha a calhar com um momento especial do meu pequeno que tem estado um pouco agitado à noite.

Os apanhadores de sonho, ou filtro de sonhos, são  lindos, decorativos mas também são objetos rituais de nativo-americanos que se popularizaram por todo o mundo. São muitas as histórias que os cercam e aqui há uma bonita lenda de sua criação.

Eu creio que tudo depende da substância que você dá, um objeto pode ser apenas um objeto, mas se a sua intencionalidade e sua energia criativa está posta nele com suas intenções ele se torna simbólico. 
Muitas tradições de estudos antropológicos (com  Lévi-Strauss, Mauss, Malinowski, entre outros) se dedicaram a pensar nestes objetos e rituais mágicos que usamos desde tempos remotíssimos para tentar controlar o que racionalmente sabemos não estar sob nosso controle, como os sonhos, mas, enfim: o apanhador de sonhos era nosso projeto de ontem para fazermos arte, nos divertirmos e enchermos sua execução de significados.


 Já começou bacana: enquanto eu separava um espaço na bancada ele pegou o novelo e o bastidor e, inspirado naquele cara do programa Art Attak criou um desenho que disse ser "A Terra, a Lua e as órbitas". ;)


 Seguimos as instruções (mais ou menos) do tutorial ARTBAR.COM e ele cobriu o bastidor com durex colorido.


 Depois chegou a hora de criar as teias. Ele ficou interessado em criar formas estrelares e vibrava ao efeito de cada nova volta do novelo no aro.


 A lã matizada e com texturas era um restinho de novelo e conferiu uma graça especial ao nosso apanhador, não?


 Ficou assim, arrematamos com um nó e deixamos um fio comprido para pendurar a peça.



 Ele foi à sua caixa de "Achados do Chão" e escolheu os objetos que queria pendurar. Pensamos no que lhe dava segurança...ele disse que a mãe, o pai, as irmãs, as avós. Então escolheu um objeto para cada um: a pena para o pai (que achou a pena com ele e é escritor), a folha de pata-de-vaca para mim pois tem forma de coração, a pérola de plástico para a irmã mais velha que tem um brinco parecido, a semente que voa para a irmã do meio que gosta de plantar (e já voou para sua própria casa, eu pensei), uma peça de biju dourada para as avós pois parecia antiga :).
Escolhemos ainda uma conchinha redonda para ser ele mesmo e duas virtudes: CORAGEM- representada pela grimpa de pinheiro e ALEGRIA- representada pela conta colorida.


 Amarramos cada peça, enquanto conversávamos sobre elas.



 Todas amarradas,dispomos na mesa para pensar no arranjo final.



 Ele no meio, pai e mãe de cada lado, as irmãs, as avós e as virtudes.



 Penduramos na porta do quarto.


Achei lindo e nunca esquecerei do processo de fazermos isto juntos. Mais uma memória desta infância.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Nas Férias, abra algum pequeno livro

As férias escolares dos filhos nos forçam a adaptações quando não estamos em férias também  mas é bacana quando conseguimos agir cooperativamente com a família e amigos dividindo os cuidados com as crianças nesta época. Uma mudança  na rotina pode ser bem saudável e mesmo sem viajar dá para fazer do verão um período de criação de boas memórias.



Minha sobrinha Angelina está passando uns dias conosco, o que tem sido bem divertido. Ela e o Benji se dão super bem e tem a mesma "vibe". 




Depois de um dia brincando juntos a pausa de "Abra este pequeno livro" de Jesse Klausmeier e Suzy Lee  (Ed. Cosac Naif) conforta, acalma e abre espaço para a celebração da amizade e da leitura.  

Antes de descansar fique um pouco sozinho, procure um lugar confortável e abra um pequeno livro...

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Cartas, livros, clipes e amizades.


A postagem de hoje poderia se chamar "Minhas Férias" como as redações clássicas da infância. Será basicamente sobre as coisas em que coloquei atenção neste pequeno intervalo nas aulas. 

Não estou exatamente de férias pois como sou professora substituta preciso de mil e um freelas para poder me virar e abracei alguns projetos que me ocuparam bastante em julho, mas sem as aulas e com o filhote em casa precisei desacelerar e pude fazer algumas coisas que vinha adiando.

A Primeira foi responder algumas cartas. Tenho alguns poucos "pen-friends" com quem mantenho correspondência quase regular, mas aproveitei para escrever também para pessoas a quem eu queria mandar um recado diferente para agradecer ou parabenizar. 


A alegria de escrever cartas ficou ainda maior quando encontrei na Livraria Cultura este adorável livro "Snail Mail" de Michelle Mackintosh, nele a autora recupera a ideia da carta como um objeto de afeto que não pode se perder e traz citações, dicas para cartas em diferentes circunstâncias e um monte de ideias de crafts para deixar as cartas mais pessoais, carinhosas e bonitas.




Nem preciso dizer que com a ajuda do livro eu pirei nas cartinhas!



Reaprendi a secar flores...
Andei pela rua catando brincos-de-
princesa para prensar entre os livros...

Desenterrei minhas tranqueiras de papelaria...
Costurei papel na máquina para fazer pautas...

E tentei dar às cartas a aparência que complementasse o seu conteúdo:



Para a amiga que temporariamente precisou abandonar seu jardim para ajudar a filha em outra cidade uma carta com tema de plantas e Dalai Lama .



Para a amiga que correu atrás de um sonho e decidiu virar confeiteira uma carta cujo envelope fiz com uma receita e que no conteúdo tem toalhinhas de papel e confeitos, enviados numa caixa de aveia.


Ainda estou escrevendo e a ideia é ir aos pouquinhos mandando um recado pessoal que reflita tanto a minha forma de ser como a da destinatária. Isso é a beleza. E a carta na verdade não precisa de fricotes, a simples alegria de encontrar na caixa do correio um envelope escrito a mão com umas linhas pessoais dentro  basta para que um pouquinho de nossa humanidade seja reacordada. 

E por falar em amizade hoje dei um pulinho em um sebo para trocar umas revistas de artesanato por gibis para o Benjamin e acabei por ter uma grata surpresa por dez reais: um livro sobre costura e amizade entre mulheres totalmente ilustrado com fotos de quilts do  American Museum of Quilts & Textiles of SanJose, Californa.


A sobrecapa linda e abaixo um envelope que fiz com propaganda de um livro sobre armarinhos...

Me doeu a dedicatória em letra caprichada: "For my friend Deborah, Merry Christmas'98". O que terá acontecido com esta amizade para que eu hoje encontrasse este livro perdido aqui em Curitiba? Vou imaginar uma história com muitas nuances e uma reconciliação.



Por fim, tudo nestas pequenas férias se resumiu em rever a vida, fazer planos e redescobrir que é mesmo a amizade a melhor parte.

Para fechar as minhas "elucubrações" (citando  a amada Cecília do Quilts são Eternos) vou deixar um tutorial bobinho, com cara de férias rápidas: os clips customizados que usei nas cartas e já andam pela minha agenda e cadernos.

Bobinho mas bonitinho!






Assim...



 

Beijos e até mais!

domingo, 31 de maio de 2015

Oi, tem alguém aí? Se tiver espia: voltei e trouxe tutorial de bolsa para projetos de crochê e tricot

Depois de um intervalo bem grande posso dizer que consegui fazer algumas coisas acontecerem, entre elas: terminei minha tese!!!!! 
Eu depois da defesa posando sorridente com a banca: Dra. Vera Gaspar (UDESC), minha orientedora Dra. Gizele de Souza (UFPR), Dra. Susana Sosenski (UNAM, México), Dra. Dulce Osinsnki (UFPR), Dra. Diana Vidal (USP). Alívio traduz!

O fim do doutorado foi clássico, com muita angústia, noites em claro, tendinites, energéticos, visões da linha de chegada, sacadas incríveis, comer compulsivo, choro, riso e a descoberta daquela força interna que a gente só aciona quando realmente precisa. Por fim valeu muito a pena e o resultado final me deixou muito feliz.
Agora respiro aliviada e posso retomar alguns projetos, escrever mais livremente e tentar outras aventuras. Escrevo muito no facebook mas não acho que seja o melhor canal para me expressar, é tudo muito rápido lá, o espaço para elaborar o texto, o formato é todo muito menos pessoal do que o blog, principalmente para falar de craft, por isso vou aos poucos tentar acordar a cigarra e reaprender a mexer no blog.
No percurso do doutoramento morei alguns meses em Montevidéu e foi uma aventura...lá, sem a máquina de costura  acabei me aproximando das lãs e labores de agulhas. Eles tem uma forte tradição de tecer, as pessoas tricotam em praças, no ônibus, nas repartições, os mercados tem sempre uma gôndola de lã e as lojas de lã são um sonho que vou mostrar aos poucos. 
Jovens tricotam na rambla.

Esta loja é sonho: Las labores.

Modernas e tricoteiras, hahah.

Aprendi um pouco e me apaixonei pela praticidade do tricô e do crochet como crafts portáteis, meditativos e silenciosos...
Esta sou eu no ligeirinho indo trabalhar em Curitiba. O bonde das crocheteiras...

Por isso a primeira postagem P.D. (sim, existe vida após ou doutorado!) é um PAP desta bolsinha muito prática para quem quer carregar seu trabalho de tricô ou crochê por aí e assustar a todos sacando sua agulha de gancho na fila do mercado, no ônibus, no carro (se estiver no banco de passageiros, ok?)...Ela se acomoda no pulso e é muito charmosa.
A bolsinha pronta acondiciona bem um novelo, agulhas e o projeto em andamento. Benjamin cresceu nestes tempos gente!
A ideia foi enviada pela minha amiga cearense Gislene, que foi a primeira a tentar me ensinar crochê e é testemunha que eu não sou um talento natural pra coisa, fui um desastre no começo, gente! Fiquei olhando a foto e fiz um molde, que segue abaixo, pense nele numa folha de A4, se quiser uma bolsa maior é só ampliar.


O tamanho aqui é de uma folha A4. Resulta numa bolsa pequena como a da foto acima. Para mim é ideal, mas amplie se quiser. O molde está sem a margem de corte, um centímetro é o bastante e apenas nas duas laterais. Clique na foto para ler as medidas.
Posicione o molde sobre o tecido principal dobrado, atente que a dobra fica na parte superior do molde, na alça da bolsa. Risque e corte. ATENÇÃO, ao cortar deixe um centímetro de borda para a costura nas laterais.


Vai ficar assim depois de cortada, parece uma fralda!
Posicione a peça cortada sobre o tecido do forro, lado bonito do pano sobre lado bonito do forro, ou direito sobre direito como se diz. Alfinete e corte.
Depois de alfinetado vá para a máquina e costure as duas  laterais, deixando um pé de distância. 

Não costure o fundo da bolsa, que são estas duas partes retas nas extremidades da peça, certo?

Ao redor das partes curvas faça pequenos piques para que ao desvirar a peça fique bem esticadinha.

Fiz uma etiqueta! No algodão cru apliquei um quadradinho de cinco centímetros de papel termo colante, mas antes estampei com caneta permanente! Na minha escrevi I love crochet e na da minha filha (que é boa no tricô e crochet) I  love yarn.

Desvire a bolsa, passe com capricho e aplique a etiqueta.

Costure a etiqueta como preferir.

Agora está acabando! Vire a bolsa com o avesso para fora, alfinete as laterais como na foto  e costure o fundo e as laterais.

O resultado: Para mim fiz a pequena, para minha filha ampliei a base  e lateral em uns oito centímetros pois ela adora carregar mais de um projeto por vez. 

Bem, espero que a gente possa se ver  de novo. Um beijo da cigarra!