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quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Presente Feito a Mão: Boneca Maria Antonieta para uma historiadora




Era uma vez uma menina que tinha um caderninho especial no qual anotava a genealogia dos reis da França, Espanha e Inglaterra como forma de passatempo. Esta menina cresceu e se tornou uma historiadora séria, mas que não tem o menor problema em dizer que ainda gosta de principes e princesas, de reis que curam escrófulas com o toque das mãos e também da cultura popular. Para a menina que ainda mora na historiadora fiz esta Maria Antonieta, mais um projeto feliz retirado do livro Weewonderfuls da Hillary Lang.


Foi inteiramente feito a mão e eu carregava na bolsa para bordar em cada tempinho de espera no banco, na universidade, na casa da sogra, no pediatra...demorou mas ficou pronto. As fotos foram inspiradas no filme da Sofia Coppola com todos aqueles doces e brilhinhos!



Acho que ela gostou.

domingo, 13 de março de 2011

Por que "A casca da Cigarra"? - Senta que lá vem história...



A cena é uma das primeiras de que me lembro, vem lá de algum ano na década de setenta: o menino de uns sete anos chora enquanto outros três, mais velhos, riem. O choro vem por conta de uma casca de cigarra jogada dentro da blusa do menino menor que esperneia e puxa as roupas apavorado, tentando se livrar do “bicho”. Eu devo ter também seis anos e assisto a certa distância, quando sou chamada pelos meninos maiores que mostram ao pequeno que eu, apesar de ser uma menina, não sou chorona ou medrosa pois uso várias cascas de cigarra presas na blusa, como broches. Entendo que meus “broches” inspiraram a brincadeira de mau gosto e fico com pena do piazinho, mas não falo nada e no fundo me encho de vaidade por ter sido reconhecida no mundo dos meninos.
As cascas de cigarra eram os adereços favoritos que eu e minhas irmãs aprendemos a usar, na falta de broches e presilhas de verdade...assim como aprendemos a abrir as sementes de caqui para nelas encontrarmos colheres e garfinhos que usávamos para brincar de casinha, ou a colar com água as pétalas de gerânio nas pontas dos dedos para fingir unhas longas e vermelhas.
Mais velha descobri na cigarra o símbolo da alegria despreocupada, em contraponto à secura e seriedade da trabalhadora formiga. Simpatizava mais com a formiga e tentei ser uma, até ser dispensada do meu emprego de anos em um formigueiro que já estava pequeno para mim.Então reencontrei minha cigarra, na música que Amália Rodrigues - e depois Adriana partimpim - cantam: "Minuciosa formiga, não tem o que se lhe diga: leva sua palhinha de asinha a asinha. Assim devera eu ser - se não fôra não querer".
Ao criar o blog e batizá-lo de A Casca da Cigarra não pensei exatamente em nada disso, mas no haikai do Bashô que conta da cigarra que se entrega por completo a fazer o que gosta, até se esgotar, sem medo nem economia. Pensei que o blog não revelaria tudo que sou, só a parte mais externa, as pequenas invenções que faço para enfeitar a vida. Pensei também que a casca da cigarra é símbolo de um ser que tenta se expandir deixando para trás uma parte importante do que foi – um vestígio, uma casca.
Hoje, tento entender - com o Freud, o Lacan e a Luiza- que sou uma mulher e tenho pele, não casca, que posso me expandir sem arrebentar, que posso me entregar sem me esgotar, que posso ser a “Formigarra” ou a “Cigamiga”, trabalhando e cantando com a mesma entrega.
O blog fez um ano, cem seguidores, muitos amigos e tenho só a agradecer a quem com paciência me escuta a estridência

Imagem: http://discontosdefadas.blogspot.com/2009/05/muitos-anos-depois-eu-percebo.html

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Como potencializar seus estudos costurando uma capa de caderno


A primeira etapa da seleção para o Doutorado é domingo...é a prova escrita. Curiosamente o primeiro vestibular da minha filha Laura é também domingo...e ao que parece, no domingo nasce o primeiro dente do meu caçula Benjamin - a julgar pelo seu mau humor.
Hoje não consegui estudar: Certau, Revel, Foucault se misturavam...já não sabia mais quem falou o que! Noite passada sonhei que tinha que explicar "os recursos narrativos na historiografia" para umas criancinhas de 5 anos. Concluí que era hora de apertar Ctrl+Alt+Del na minha cabeça e descansar.
Então resolvi fazer uma capa para meu futuro caderno para as disciplinas do primeiro Semestre do Doutorado! Parece loucura, mas me deixou relaxada e enquanto costurava cada autor foi tomando seu lugar, a questão da narrativa foi ficando simples de explicar e meu estômago parou de dar tantas voltas.
A capa do caderno que costurei hoje e meu material de estudo: além dos livros, tampão para os ouvidos e um timer com campainha escandalosa

terça-feira, 1 de junho de 2010

Fumar não é fofo.




Olha só o que encontrei em plena semana em que se celebra o Dia Mundial Anti-tabagismo: um cachorrinho de feltro para colocar fósforos e cigarros! Bizarro, mas é preciso, como dizem os historiadores, "considerar o contexto": o molde está em uma em uma enciclopédia de artesanato chamada Mãos de Ouro, que herdei de minha mãe. A publicação é da década de 60, tempos em que a preocupação com o tabagismo ainda não encontrava espaço. Sou da década de 70 e comprava cigarrinhos de chocolate na banca; entrei na faculdade de história em 1989 e a sala de aula era um fumacê só: alunos e professores fumavam o tempo todo - foi ali que comecei minha curta carreira de fumante, tragando com dificuldade mas fazendo minha cara mais cool. Fumar estava associado a ser livre, sexy, inteligente...agora, nunca me ocorreu associar cigarro a bichinhos de feltro em uma publicação semanal feita principalmente para mães. Sem discursar, fico feliz em saber que hoje um pouco mais de bom senso tenta proteger as crianças do cigarro com a regulamentação da publicidade, e lamento pelo destino do pobre cachorrinho da foto, feito para ser fofo e promover os cigarros dentro do ambiente familiar e aconchegante que impera nesta enciclopédia.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

O Queijo, os Vermes e as Queijadinhas



Hoje na disciplina de História das Culturas Escolares o livro em discussão foi o primoroso "O Queijo e os Vermes", de Carlo Ginzburg. Como o intervalo para o café era por minha conta não fugi ao tema e fiz umas queijadinhas, que no friozinho de hoje cairam bem com um café. Os colegas gostaram então aqui vai a receita, fácil, rápida e com aquele charme do interior que este doce tem. Rende umas 20 queijadinhas.

1 xícara (chá) de leite de coco
200 g de coco fresco ralado
4 ovos
1 ½ xícara (chá) de leite condensado
2 colheres (sopa) de manteiga
4 colheres (sopa) de queijo tipo meia cura ralado
3 colheres (sopa) de farinha de trigo peneirada
1 colher (chá) de fermento em pó

Mode de Preparo

Misture em uma tigela o leite de coco e o coco. Deixe descansar por 30 minutos. Em seguida, bata os ovos, o leite condensado e a manteiga até que fique homogêneo. Acrescente o coco reservado, o queijo, a farinha, o fermento e misture. Coloque forminhas de papel dentro das forminhas de empada. Despeje a mistura até um pouco mais da metade da forminha e leve para assar no forno preaquecido (200 ºC) por cerca de 30 minutos.

terça-feira, 13 de abril de 2010

A invenção do Cotidiano


Que semana a que passou! Não pude fazer o checapão das meninas no começo do ano pois estava com o Benjamin recém-nascido, então esta foi a semana de visitar todos os médicos, tomar a vacina da Influenza H1N1, cuidar de um bebê em pico de crescimento e ainda por cima retornar à universidade. Não lembrava mais como era viver sob tanta pressão do tempo e das tarefas. O resultado foi este blog empoeirado e sem novidades...não se pode ter tudo (não mesmo?). A máquina de costura saiu da escrivaninha e deu lugar aos livros e cadernos de notas. Estou reinventando o meu cotidiano - e com síndrome de abstinência de costurar! Mas depois de quinta-feira, dia em que apresento minha leitura do livro "A Invenção do Cotidiano" de M. de Certeau (sincronicidade, não?), volto a inventar moda.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Quem mexeu no meu queijo?


Hoje passando pela prateleira de biscoito no supermercado tive um curto-circuito-estético-emocional: Mudaram a embalagem do meu biscoitinho de queijo Piraquê!
Não sou contra mudanças, pois sei que, como cantava a minha querida Mercedes Sosa "tudo cambia", mas a Piraquê pisou na bola, pois a embalagem nova nem se compara à antiga, que fez parte de minha infância e da infância das minhas filhas.
Chegando em casa procurei uma foto da embalagem antiga na internet (que ilustra este post) e descobri que muita gente, inclusive quem entende de design - o que não é o meu caso- se ressentiu com a mudança. Cheguei ao blog da Daniela Name e lá aprendi um pouco sobre a história desta embalagem dos anos 60 e de sua criadora, a artista Lígia Pape. Assim, o que era só uma chateação com base na memória afetiva virou indignação diante do apagamento de um pedaço de uma história que não é só minha.