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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Bonecas para alegrar as crianças de Pinheirinho: Go Bonequeiras sem fronteiras!



Esta semana a indignação deixou uma nuvem cinzenta sobre quem acompanhou o que aconteceu com os moradores da comunidade de Pinheirinho, em São José dos Campos, depois da reintegração de posse que deixou tantos sem lar. No facebook a comunidade de artesãs e crafters que geralmente é alegre e positiva mostrou um abatimento, um desconforto solidário que nos fazia repetir as perguntas : isso vai passar sem que se faça nada? isso vai ser logo esquecido? - e a melhor das perguntas, aquela que às vezes temos medo de fazer: como poderíamos ajudar?
Depois de ver esta pergunta estampada nos comentários do Mural da Ceres Torres me lembrei de algo que talvez pudéssemos fazer juntas, algo que fazemos bem, algo que nos alegra: vamos costurar?
Assim inspirada no projeto Dolly Donations, que convida crafters de toda parte a costurarem bonecas e bonecos para crianças que estão vivendo momentos difíceis em campos de refúgio, orfanatos, abrigos, falei com a Ceres que imediatamente pois a coisa em ação: começamos a chamar nossas amigas e cada uma que chegava acrescentava mais ânimo e a adesão começou a crescer e crescer.... Pode parecer bobagem pensar em brinquedos quando tudo parece mais urgentes, no entanto quem tem ou foi criança (!) sabe que fica mais fácil enfrentar o escuro segurando seu bichinho, boneca ou cobertor que conforta. Ontem Jud mostrou sua primeira Dolly, prontinha para alegrar alguém.

Se você puder e quiser participar é simples: você poderá seguir o molde sugerido pela Dolly Donation, ou fazer outra boneca de pano, quantas puder, não importa, então enviar até dia 15 de fevereiro pelo correio para o endereço que divulgaremos por e-mail para quem nos pedir. Quando todas as bonecas estiverem juntas serão levadas a São José dos Campos para distribuição.E este é o selinho que a Daniela Palazzo fez para a gente! Copie e divulgue se puder!

Vamos Bonequeiras sem fronteiras! Estes são os links para moldes e instruções.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Pare o mundo que eu quero descer...



Vou me ausentar por uns dias. Os motivos são esquisitos: uma tristeza pelo que está a acontecer com os distantes amigos japoneses e com próximos amigos "caiçaras" aqui do litoral do Paraná ( aqui pertinho são 17 mil pessoas sem ter pra onde ir)me bloqueia o fluxo criativo. Além disso uma insidiosa tendinite me tortura há dias e preciso domar as "mãozinhas nervosas" como diz a Cecília, do Quilts são Eternos para poder melhorar.
Porém antes de me retirar para a concha sugiro que leiam o post da Akemi do maravilhoso blog de culinária Pecado da Gula, que alerta para uns trambiqueiros sem coração que estão tentando extorquir dinheiro dos traumatizados brasileiros que tem parentes no Japão. Sério, parafraseando o Ivan Karamazov, certas coisas me fazem ter vontade de devolver ao universo meu bilhete de entrada. Fiquem bem...

domingo, 13 de março de 2011

Por que "A casca da Cigarra"? - Senta que lá vem história...



A cena é uma das primeiras de que me lembro, vem lá de algum ano na década de setenta: o menino de uns sete anos chora enquanto outros três, mais velhos, riem. O choro vem por conta de uma casca de cigarra jogada dentro da blusa do menino menor que esperneia e puxa as roupas apavorado, tentando se livrar do “bicho”. Eu devo ter também seis anos e assisto a certa distância, quando sou chamada pelos meninos maiores que mostram ao pequeno que eu, apesar de ser uma menina, não sou chorona ou medrosa pois uso várias cascas de cigarra presas na blusa, como broches. Entendo que meus “broches” inspiraram a brincadeira de mau gosto e fico com pena do piazinho, mas não falo nada e no fundo me encho de vaidade por ter sido reconhecida no mundo dos meninos.
As cascas de cigarra eram os adereços favoritos que eu e minhas irmãs aprendemos a usar, na falta de broches e presilhas de verdade...assim como aprendemos a abrir as sementes de caqui para nelas encontrarmos colheres e garfinhos que usávamos para brincar de casinha, ou a colar com água as pétalas de gerânio nas pontas dos dedos para fingir unhas longas e vermelhas.
Mais velha descobri na cigarra o símbolo da alegria despreocupada, em contraponto à secura e seriedade da trabalhadora formiga. Simpatizava mais com a formiga e tentei ser uma, até ser dispensada do meu emprego de anos em um formigueiro que já estava pequeno para mim.Então reencontrei minha cigarra, na música que Amália Rodrigues - e depois Adriana partimpim - cantam: "Minuciosa formiga, não tem o que se lhe diga: leva sua palhinha de asinha a asinha. Assim devera eu ser - se não fôra não querer".
Ao criar o blog e batizá-lo de A Casca da Cigarra não pensei exatamente em nada disso, mas no haikai do Bashô que conta da cigarra que se entrega por completo a fazer o que gosta, até se esgotar, sem medo nem economia. Pensei que o blog não revelaria tudo que sou, só a parte mais externa, as pequenas invenções que faço para enfeitar a vida. Pensei também que a casca da cigarra é símbolo de um ser que tenta se expandir deixando para trás uma parte importante do que foi – um vestígio, uma casca.
Hoje, tento entender - com o Freud, o Lacan e a Luiza- que sou uma mulher e tenho pele, não casca, que posso me expandir sem arrebentar, que posso me entregar sem me esgotar, que posso ser a “Formigarra” ou a “Cigamiga”, trabalhando e cantando com a mesma entrega.
O blog fez um ano, cem seguidores, muitos amigos e tenho só a agradecer a quem com paciência me escuta a estridência

Imagem: http://discontosdefadas.blogspot.com/2009/05/muitos-anos-depois-eu-percebo.html

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

O grande massacre de gatos


Não, este não é um post sobre o famoso livro de Robert Darnton, no qual ele analisa a revolta de trabalhadores que martirizaram e mataram gatos no Séc. XVIII. Você pode ler o livro ou saber um pouco dele aqui.
Quero falar de gatos nossos contemporâneos, de pessoas que os massacram e de outras que tentam protegê-los.
Ter um blog pode entre outras coisas, reduzir distâncias e aproximar desconhecidos. Eu descobri que tinha uma seguidora em Buenos Aires e entrei em contato com ela pedindo um favor especial: uma visita à Biblioteca de Maestros para garimpar uns documentos essenciais à minha pesquisa de Doutorado. A Carol foi super solícita e em troca eu lhe ofereci um de meus gatinhos de tecido, pois sei que ela AMA gatos.
Este amor é tão grande que ela me pediu para doar o gato para o SOS gatinhos, uma instituição de São Paulo que abriga, cuida e acarinha gatinhos abandonados.
O gato e uma capa de caderno em patchwork já estão no SOS Gatinhos e serão rifados em breve, mas ontem li o post/apelo da Carol e me junto a ela para divulgar o pedido do SOS Gatinhos por ajuda. Eis parte do que ela escreveu:
Gente eu acompanho há anos o trabalho do Sosgatinhos que é realmente baseado em muito esforço e amor da Leila pelos animais abandonados. E Leila comenta no site que em Sao Paulo as pessoas estao afogando gatos e cachorrinhos em rios e corregos e que existe uma protetora Cleonice que está resgatando estes animais da morte, por isso pede ajuda em nome dela.
"A protetora Cleonice, da Zona Leste, recolheu gatinhos abandonados e precisa doá-los com urgencia.
Também precisa de ajuda para tratamento dos gatinhos. Para AJUDAR COM DINHEIRO deposite direto na conta de Cleonice de Souza Moraes dos Santos, Banco Bradesco, ag 1365, conta poupança 5895982-


Se você como eu se admira diante do empenho deste pessoal que tenta salvar todos os bichos, um de cada vez, aí está a oportunidade de ajudar também. Divulgue.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Doutorado?


A receita simples do Udo, um antigo professor da graduação, funciona mesmo. Ele disse certa vez que "não há nenhuma dificuldade capaz de resistir ao estudo diligente, ao esforço e à disciplina". Foi fazer para crer: PASSEI NA SELEÇÃO PARA O DOUTORADO! Quem disse que as mães de bebês são menos produtivas e tem menos condição de dedicarem-se ao trabalho? Pois é mulherada, só digo uma coisa: YES WE CAN!! E que ninguém duvide!
beijos a todos e todas...

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

A primeira palavra de Benjamin

Nem papai, nem mamãe...contrariando as expectativas, Benjamin, que há dias vinha olhando cuidadosamente para nossos lábios quando falávamos com ele, resolveu nos surpreender e fazer sua estréia no mundo dos falantes com a palavra - agora linda - POOH! E para que não ficasse nenhuma dúvida apontou com seu dedinho o boneco de borracha que estava em seu tapete de brincar. Isso mesmo, Pooh, o ursinho que era Puf na minha infância e que apesar de nossa cruzada contra os produtos licenciados apareceu aqui em casa em vários itens que o Benji ganhou. E sabe que agora este personagem gorducho com sua camiseta baby look herdada de algum defunto bem menor passou a me parecer uma criatura adorável? Nada como os bebês em sua falta de preconceitos para nos suavizarem as opiniões.

domingo, 31 de outubro de 2010

Música para crianças e adultos inteligentes



Vai ter show do Coral Brasileirinho! Sou fã deste coral infantil que mistura boa música, boas vozes e carinhas boas com entretenimento inteligente, uma pitada de teatro e muito talento.

CORAL BRASILEIRINHO - 2010
Show ÁLBUM DE FAMÍLIA

Da uma olhada neste repertório:
REPERTÓRIO :
EU SÓ QUERO UM XODÓ – Dominguinhos e Anastácia
O XOTE DAS MENINAS - Luiz Gonzaga e Zé Dantas
O BOM – Carlos Imperial
PELA LUZ DOS OLHOS TEUS - Vinícius de Moraes
QUERO QUERO – Cláudio Nucci
LUA DE MEL - Marcelo, Mário Manga e Osvaldo Luiz
LÁ - Peri
DE UMBIGO A UMBIGUINHO - Toquinho e Elifas Andreato
BOLA - Milton Karam
PELA INTERNET – Gilberto Gil
REBELDE SEM CAUSA - Roger Rocha Moreira
FIM DE SEMANA – Wandi Doratiotto
FAMÍLIA - Arnaldo Antunes e Toni Belotto
CANTANDO NO BANHEIRO – Eduardo Dusek
CONCEPÇÃO E DIREÇÃO ARTÍSTICA
Helena Bel (direção musical) e Milton Karam (direção cênica)

DATAS DO SHOW :
06 de novembro (sábado), 18 horas
07 de novembro (domingo), 16 horas
* os shows tem entrada franca. Espetáculo gratuito.

LOCAL :
Teatro da UTFPR (antigo CEFET), ao lado do Shopping Estação
Entrada pela Av. Sete de Setembro, 3165 – Tel. 3310-4857

Figurinhas do Brasileirinho: os cantores

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Invento em mim o sonhador



Cais

Milton Nascimento


Para quem quer se soltar invento o cais
Invento mais que a solidão me dá
Invento lua nova a clarear
Invento o amor e sei a dor de encontrar
Eu queria ser feliz
Invento o mar
Invento em mim o sonhador
Para quem quer me seguir eu quero mais
Tenho o caminho do que sempre quis
E um saveiro pronto pra partir
Invento o cais
E sei a vez de me lançar

segunda-feira, 29 de março de 2010

Da arte de se importar com desconhecidos.


Domingo, enquanto eu e minha filha nos divertíamos, fazendo a foto do avental quadrado na nossa cozinha, ouvimos um rumor, um som assustador e furioso lá fora. Corri à janela da sala, que fica bem pertinho da rua e me apavorei: um bando de gente,uma turba de meninos e meninas, armados com paus e pedras cercaram um ônibus que parou no ponto em frente ao meu prédio. O motivo? Queriam espancar um torcedor de outro time que estava dentro do tal ônibus. Sem pensar muito, abri a boca e dela saiu um vozeirão que me espantou tamanha a potência e energia assertiva que teve: "parem agora ou vou chamar a polícia!". Minha voz, que é pequena e quase infantil... E o incrível aconteceu: eles pararam, olharam para mim e saíram da frente do ônibus, que conseguiu partir. Naquela hora gelei, pensei que eles iriam atirar coisas em mim ou nas nossas janelas, mas eles simplesmente foram embora. O que explica isso? Não sei, mas passado o medão fiquei com aquela sensação de triunfo, de quando algo dá muito certo! Tá, tive sorte, tudo poderia ter acabado muito mal, mas felizmente, não acabou. Posso continuar me importando com desconhecidos.