segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Feito à mão: turbante chiquérrimo!

Acho que todo mundo conhece alguém que conhece alguém que está em tratamento contra o câncer. Este ano experiências fortes com pessoas muito próximas me colocaram em contato com este universo do tratamento, das lutas diárias, das adaptações. Vivi isso com amigos homens, mas recentemente minha sogra me pediu ajuda para comprar um turbante bonito para uma amiga que estava perdendo o cabelo pela quimioterapia e que não se adaptara a lenços e gorros.
Isso do cabelo, da vaidade, pode parecer uma bagatela quando estamos falando de lutar pela própria vida, mas sinceramente, não é...lidar com a auto imagem e achar formas de sentir bela mesmo sem um fio de cabelo é um exercício de fortalecimento interno.
Saí a procura de um turbante bonito, mas eles são raros e caros. Decidi tentar achar um tutorial para fazer eu mesma e pedi ajuda ao grupo "dividindo ideias", no facebook. Na busca encontrei muitas fotos lindas deste acessório em diferentes épocas, mas tutorial mesmo, nada...Uma amiga do grupo localizou uma explicação em inglês com um esquema desenhado e bem pouco explicativo, mas que me possibilitou chegar a um modelo que eu achei bonito e fácil de fazer.
Fiz em plush pérola, pois queria uma cor que iluminasse. A borboleta foi uma lembrança de que momentos de transformação podem nos tornar mais fortes e lindas. Fiz um preto também, sem nenhuma biju, mais sóbrio e super chique! Agora que está esquentando vou fazer um de viscose fresquinha. Minha sogra me contou que dias depois de ter entregue os turbantes sua amiga lhe ligou para dizer que não poderia nunca esquecer deste presente, que se sentia aconchegada e bela com os turbantes e que eram também uma prova de delicadeza e amizade... Chorei, claro...
Fotografei os passos da confecção e partilho aqui num passo a passo bem tosco mas que pode ser útil para alguém, então fiquem à vontade para usar, partilhar e perguntar se preciso, ok?

1- Corte 3 retângulos: um  com 55cm por 23 cm; um pequeno com 13 x 10 cm e um último com 55cm por 13 cm.

2- Dobre o  retângulo de 55 X 13 cm ao meio no sentido do comprimento de modo que o lado bonito do tecido fique para fora. Alfinete e costure à máquina com ponto zig-zag.

3- Una a tira costurada ao lado avesso do retângulo maior. Alfinete e costure à máquina.

4- Dobre ao meio a peça composta pelos dois retângulos unidos, lado direito do tecido sobre lado direito.


5- Esta parte vou mostrar no tecido claro para que fique mais nítida: trace esta forma meio quadrada com uma das pontas arredondadas observando que a borda do turbante fique para baixo como na foto.
6- Costure por sobre o traçado e na lateral oposta deixando uma pequena abertura na altura indicada pelas  flechas da foto.


7- Desvire o turbante e terá algo assim...

8- Pela fenda passe uma tira feita com o retângulo pequeno. Junte as pontas da tira e costure com seu melhor ponto manual e posicione a costura na parte de dentro do turbante para que não apareça.   Isso dará a forma e será o detalhe do centro do turbante.  Eu fechei o pequeno espaço que sobrou da fenda com pontinhos a mão.
9- Para finalizar faça pregas à mão na parte de trás do turbante. Sem estas pregas ele fica uma touca bem esquisita.  É só dobrar, alfinetar e dar um pontinho bem sobre a costura central.

10- As pregas darão o drapeado elegante de nosso turbante.
11- Dá para perceber o efeito das pregas nesta foto? É o pulo do gato!
O turbante está pronto, mas se quiser enfeite com pedrinhas, bordados ou uma biju como eu fiz... 

PS: como esta será uma semana especialmente decisiva para meu irmão em seu tratamento peço seus melhores pensamentos, energias e preces, se puderem, ok? Isso também sempre ajuda! 

domingo, 19 de agosto de 2012

Aprendendo a brincar sozinho: brinquedos quietinhos

Fui orientadora educacional por anos e a queixa top ten de professores e pais era: "essa criança não para quieta, não consegue se concentrar, não sossega, tem bicho carpinteiro..." isso me incomodava muito pois eu sempre achei que o limite entre uma vivacidade saudável e esperada de uma criança, com a qual muita gente tem dificuldade de  lidar, e "O" problema era muito difícil de determinar.
Tenho pensado muito nisso por conta de meu interesse em brinquedos artesanais e livros infantis: cheguei à livraria com o Benjamin e ele imediatamente se direcionou para os livros grandes e que tinham botões para emitir barulho. Os canais infantis abundam em desenhos cantados/gritados, os brinquedos falam, latem, buzinam, acendem e fazem muito barulho.
Nas andanças por sites pesquisando bonecas de pano e afins descobri uma categoria de brinquedos bastante comum nos EUA e Austrália: os quiet toys...isso: Brinquedos silenciosos, normalmente usados pelos pais para distrair a criança durante o serviço religioso, as esperas em consultórios, eventos e restaurantes. Eu adoro a ideia de proporcionar às crianças oportunidades de brincar em silêncio, não por não gostar de ouvi-las mas sim por gostar tanto que gostaria que elas tivessem a chance de ouvir a si mesmas enquanto brincam tendo que criar os próprios sons e enredo da história. É uma maneira gostosa de aprender a dominar o seu "bicho carpinteiro interior".
Livros de pano chamados de quiet books como estes, com peças destacáveis de feltro fazem parte da minha lista de "brinquedos quietinhos" que quero fazer.
Já fiz alguns tapetes de brincar como este para carrinhos e este para dinossauros, que tem links para os tutoriais.


Nesta semana fiz, a pedido da minha amiga Marília, este tapete para brincar de fazendinha, que pode ser um brinquedo quietinho delicioso, somado a uns bichinhos de plástico ou tecido. Ele tem bolsinhos para guardar a coleção de bichinhos e pode ser transportado enrolado para todo lado.







Aproveito o silêncio para mostrar o livro lindo que a irmã do Benjamin por coincidência  trouxe pra ele: O livro do Silêncio!

Estar quieto não significa perder a liberdade; ficar consigo mesmo enquanto relaxa e brinca é uma aprendizagem cada dia mais necessária nos dias de tanta zoeira que vivemos.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Presente para quem ama dar presentes...

A Simone Arrais do blog Linhas Matizadas  é uma amiga querida que fiz no mundo virtual mas que se tornou mais real que muita gente que conheço e com quem convivo há anos...vai entender a química da amizade?
Queria presenteá-la com algo que de fato pudesse dar conta de um pouco das coisas que admiro na sua personalidade: seu senso estético unido à uma necessidade de dar uso às coisas, seu gosto por coisas com cara de passado, sua generosidade para com os amigos, sua paixão pelas manualidades...meo! Que difícil!!
Então lembrei de ter visto certa vez no Banancraft um post com uma caixa cheia de coisas para fazer embalagens: papéis, fitas, etiquetas...e fui à cata da publicação com a ajuda da Dani Sinhoreli. Comprei uma caixa bonita e pensando nas cores da caixa comecei a coletar coisas pelas papelarias, lojinhas de 1,99, lojas de scrapbook, casas de festas e na internet e fui montando um kit para embalar presentes. Foi tão divertido e gostoso que tive dificuldades em decretar que estava pronta.
Coloquei papéis de seda em cores variadas, sacolinhas em papel pardo, fitas, cordões, tags que cortei em papel de scrapbook, cartões vintage que imprimi de sites na internet e coisas do gênero. Tudo embalado em caixinhas menores ou envolto por um cordãozinho com uma etiqueta.



Para completar mandei fazer dois carimbos: um escrito "handmade" e outro com uma letra S bem bonita .






Como ela mora longe (de mim) aproveitei o frete e enviei também um organizador de acessórios de costura que aprendi a fazer aqui e que é muito prático, tanto que fiz um pra mim também.


Agora a Simone pode costurar suas coisinhas com toda a organização e depois embalá-las com seu habitual capricho enquanto lembra (egoísta eu!) desta amiga que lhe quer tão bem. Como ela mesma diz: melhor que ganhar presentes só mesmo presentear!

sábado, 11 de agosto de 2012

As bonecas também tem história: topsy-turvy dolls ou bonecas reversíveis



As bonecas tem história...as topsy-turvy dolls, ou bonecas "reversíveis"  me atraem desde pequena, quando vi esta imagem numa enciclopédia de artesanato de minha mãe lá nos idos dos anos 70. Em tempos em que o cuidado com o preconceito racial ainda engatinhava a boneca era apresentada como um "brinquedo que deixará as meninas encantadas pois em um simples passe de mágica a Sinhazinha se transforma na prestimosa babá"...não preciso nem dizer que a babá era representada pela boneca negra e a sinhazinha pela branca...
Recentemente me deparei com uma versão moderna da topsy -turvy no livro Wee wonderfuls, na qual a mesma personagem é apresentada em roupa de festa de um lado e roupa de trabalho do outro. Isto reacendeu a lembrança da boneca reversível e comecei a pesquisar um pouco para fazer a minha.
A surpresa foi encontrar muitas versões interessantes para a origem deste brinquedo, criado antes da Guerra Civil dos EUA  pelas escravas negras do sul: pode ser que não tenha sido primeiramente para as meninas brancas, mas sim para as garotinhas negras, como uma estratégia secreta para que tivessem uma boneca que as representasse mas que pudesse rapidamente ser escondida sob as saias da boneca branca ante a proximidade de um "Senhor" ou feitor...Isso é muito interessante, estas estratégias que nos mostram a criatividade e o poder de contravenção das minorias...eque tenho estudado nos livros do historiador Michel de Certeau. Viu como costurar e estudar não precisam ser coisas que se excluem? Como posso ser a costureira e doutoranda ao mesmo tempo? rsrsrrs

Fiz minha primeira topsy -turvy para a Marília, uma amiga que é médica mas tem alma de criadora de brinquedos...por isso de um lado ela é sóbria e do outro multi colorida, afinal uma vida só é pouco pra tudo que a gente é, concordam?









terça-feira, 7 de agosto de 2012

Uma roça no meu apartamento.


Viver no centro de uma cidade grande, num apartamento sem playground pode ser muito restritivo para uma criança...mas a gente faz o que pode para tornar as coisas mais leves e gostosas mesmo com pouco espaço.
Pensando nisso, eu, que nunca plantei nada comecei a pesquisar formas de cultivar um pequeno canteiro de ervas aqui, na entrada do ap...
Comprei um livro (Jardim de Ervas, de Grahan Pavey) e entre os projetos possíveis em espaços restritos decidi fazer a "Cascata de Ervas" nome muito pomposo para esta escadinha de vasos...
Comprei os vasos, um pacote de brita, terra, casca de árvore e mudas de manjericão roxo, manjericão anão, manjericão basílico, cebolinha, salsinha, orégano e morango.
Com meu super ajudante a bagunça foi divertida!

Primeiro colocamos a brita no fundo dos vasos para drenar a terra.

Encaixamos os vasos e colocamos um composto de terra fofa em todos.

Uma paradinha para limpar!
                                


No vaso de baixo plantamos as 4 mudas de variedades de manjericão e no canto a cebolinha. A ideia era deixar as ervas altas nos cantos.



No vaso do meio plantamos o lindo orégano e a salsinha.



 No topo da torre o morango, claro,só para fazer graça! Cobrimos a terra aparente com as casquinhas de árvore.

Uma regadinha...
                                         

Espero que cresçam fortes e bonitos: os temperos, o morango e o Benjamin!
                                         

Para o alto e avante!!

  No último post eu contei dos dias difíceis, de decepções, contenções, cortes e fim de ciclos confortáveis. Falei também de espera e resili...