sexta-feira, 18 de junho de 2010

Não há nada mais triste que uma ausência



Um dia, em 1997 meu namorado emprestou-me um livro. Coloquei-o na bolsa para lê-lo no longo trajeto de ônibus que eu fazia diariamente até o trabalho. O que aconteceu foi o seguinte: eu, que estava naquele emprego há dois anos sem ter faltado sequer um dia de trabalho, desci do ônibus no centro, telefonei para a empresa fingindo uma doença e passei o dia lendo na biblioteca pública, até chegar à página final. No fim, sem nenhuma culpa, soube que aquele tinha sido um dia bem vivido, um dia que me tornara uma pessoa pelo menos um pouco melhor, nao obstante a mentira e a falta. Eu queria ter agradecido ao Saramago por aquele dia.

5 comentários:

  1. Não se preocupe, nostálgica cigarra: os resíduos sinestésicos de um livro, teia vital de sentimentos e imagens que se depositam nos vãos da memória, "ícones guardados num coração-caverna", já são agradecimento suficiente para um verdadeiro escritor, ao menos para um que não seja muito narcisista. Ah, falando em Narciso, não esqueça de agradecer a esse seu antigo namorado tão sublime recomendação.

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  2. Nunca agradeço o bastante...pelas recomendações que sigo, pelas que não sigo - mas sempre escuto- , por tudo que você acrescentou à minha vida.

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  3. Acho que as declarações de amor nos comentários são muito mais bonitas, e acho que ao José Saramago é devido mais esse agradecimento. É claro que ele não é responsável pelo amor, mas pela oportunidade de expressá-lo mais uma vez, de mais uma maneira. Um beijo, Karina.

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  4. Meu último post aludia justamente a uma das coisas que me ensinara Saramago. Mesmo sendo a morte nosso destino é impossível não nos entristecermos com sua ausência. Passear em suas ficções certamente reduz a nossa tacanheza. E o consolo é que elas permanecem.

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  5. Nem sei como cheguei no seu blog. Sou uma rata de internet e viajo muito....
    Ah! Saramago! Um mago mesmo.....
    Beijos.
    Bete

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