sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

Fechando o terceiro semestre...

Um ano tem dois semestres, mas às vezes 3... por isso estou aqui  fazendo planejamento de aula, pois depois de um breve recesso  as aulas na universidade recomeçam segunda, dia 16 de janeiro (vamos finalizar o segundo semestre de 2022 em 25 de fevereiro). Na prática, 2022 foi um ano de 3 semestres letivos na UFPR (o semestre 2 de 2021 e os dois de 2022), e se essa foi uma boa saída pra finalmente retomarmos o calendário direitinho em março próximo, depois da bagunça que virou nossas vidas desde 2020, o preço está sendo aquele cansaço e sensação de confusão temporal  no  estilo "tente saber em que ano estamos". 

Minhas metas: manter a coisa criativa e fechar essa etapa  com leveza. Pra inspirar segue uma mostra de trabalhos da minha maravilhosa turma de Estudos da Infância, a partir do estudo do Estatuto da Criança e do Adolescente. A proposta foi ler previamente os textos de base e em grupos discutir enquanto realizavam interferência sobre fotografia a partir de um recorte escolhido do ECA. Eu achei lindo.



















terça-feira, 10 de janeiro de 2023

Por onde andaram minhas artesanias naqueles anos de pandemia

 Eu já havia pausado o blog quando vieram aqueles terríveis anos. Sei de muita gente que voltou à "blogosfera" na pandemia, mas eu estava dando aula on-line, com o Benjamin aos 10 anos trancado num apartamento do centro, toda nossa vida acontecendo nas telas. Não dei conta, não iria aguentar...e as artesanias refletiram muito aqueles dias.

Claro que a primeira coisa que aprendi a fazer foi máscara... aff, no começo eu tava achando motivador e bonito ajudar amigas e suas famílias quando não havia máscaras para vender porque ia tudo para os profissionais de saúde. Eu caprichei nos tecidos, aprendi várias modelagens, esterilizava, colocava num saquinho... até manualzinho de instruções eu mandava junto. 

Quem do artesanato não fez máscaras na esperança de ajudar e de se ajudar?


Lembro de passar o feriado da Semana Santa de 2020 enfiada no ateliê, entre máscaras, me protegendo do medo do incerto na minha máquina de costura. 


Como tudo que no começo ia bem durante o lockdown ( o pão caseiro, a yoga, aplaudir da janela, etc...) chegou um momento em que eu não suportava mais nem ver máscara de tecido. Ranço traduz. Mas eu tinha um projeto em andamento: meu bordado de reunião on-line. 

Gatos, réstias de sol e reuniões online: outros clássicos da pandemia.

Foi tanta, mas tanta reunião que nos primeiros meses de 2020 eu decidi a cada uma delas trabalhar no bordado de  umas folhas para fazer um bastidor para minha porta com tema outonal. Foi um projeto salvador de sanidade, e por isso eu amo esse trabalho.


Só que enquanto esse bastidor ia se construindo veio se juntar ao caos uma ironia: eu entrei na menopausa,  e não sei se foi isso, não sei se foi tudo, comecei a desenvolver uma dor medonha nos dedos da mão. Eu mal conseguia fechar um botão quem dirá segurar uma agulha, meus dedos ficaram rígidos e meu polegar direito "engatilhou" e perdi boa parte do movimento dessa mão. Eu fiquei profundamente triste, parecia cruel  eu não conseguir mais fazer nada manual, pois eu sabia que era isso que me mantinha minimamente equilibrada naquela tormenta.

 Para minha felicidade eu tenho uma rede de gente muito, muito inteligente ao meu redor, e junto ao tratamento médico, alopático primeiro e homeopático depois, eu iniciei, em fevereiro de 2021 um curso de feltragem molhada por conselho da sábia Nina Veiga, que me disse que talvez a água morna, o sabão de alecrim, a lanolina e os poderes da lã e dos fazeres manuais pudessem me ajudar a me recuperar. Foi possivelmente o momento em que eu percebi mais claramente toda a tal potência das manualidades na minha vida. Foi lindo, foi um alívio!


O dedo ainda com tala, mas já iniciando o processo de cura ao molhar a lã.

 O curso foi ofertado pela Paula, do Instituto Urdume. Eu comprei meu material nessa maravilhosa Santa Meada e foi a terapia de que eu precisava. É um processo zen, delicado, cheio de etapas reconfortantes e criativamente desafiadoras

Só olhar as lãs já é uma experiência.

O curso e a foto da tela do zoom... quem não tem uma pelo menos?

Minha cúpula agora é feltrada!

Olha que efeito lindo.

Agora, minhas mãos estão muito melhores, mas não abandonei mais as lãs. Não faço tanto quanto gostaria porque a feltragem molhada é um rolezão para organizar ( não é o fim do mundo não, mas precisa de um pouco de espaço na mesa e tempo), mas aprendi a amar esse material ainda mais. Estou aprendendo a feltrar com agulhas, meu primeiro projeto está em andameneto, mas é história para um próximo post. Feliz por poder estar aqui contando essa vivência. Feliz por você estar aqui para me ler. E às que não estão ... nosso amor. 

domingo, 8 de janeiro de 2023

Reatando um fio rompido


 "Nada mais comovente que reatar um fio rompido, completar um projeto truncado, reaver uma identidade perdida,  resistir ao terror e lhe sobreviver." Roberto Schwartz, o Fio da Meada


Essa citação sempre me deixa com vontade de chorar, e nos últimos dias ando assim: saudosa de minhas identidades perdidas. 

Comecei este blog sendo mãe de duas adolescentes e um recém-nascido, com a intenção de compartilhar a vida e as aprendizagens artesanais que começavam a fazer parte de mim naqueles anos de 2010. Depois foi tanta coisa... o doutorado, as Bonequeiras sem Fronteiras, o concurso público, a política no Brasil, as novas mídias sociais. E pouco a pouco fui abrindo mão de algumas coisas para dar conta de outras. 

"A cada escolha uma renúncia", dizem e é real. Hoje eu sou mãe de duas adultas e um adolescente de 13 anos, sou professora na UFPR e o artesanato segue sendo meu maior espaço criativo, afetivo, pessoal, - talvez por isso eu o tenha deixado de lado, como deixei tantas coisas que gosto, como escrever sobre a vida.

Então este ano de 2023 começou, e eu senti toda pulsão de retomar um fio rompido bem dentro de mim, e entre outras coisas voltei a ler os blogs antigos e queridos. Nesse mergulho em tempos bons,  me lembrei do "manifesto de ano novo" escrito no começo de 2011 no blog da Holly. Motivada por isso escrevi meu próprio manifesto: 



Nele, não previ retomar o blog, mas hoje me pareceu uma ideia tão boa...ia amadurecer isso um pouco, mas minha amiga Priscila me incentivou a retomarmos hoje mesmo, no susto, nossos blogs interrompidos, e aqui está esta primeira e desajeitada postagem. Não prometo grandes coisas, mas estou me sentindo muito feliz pela chance que me dou de voltar a partilhar num ritmo mais lento meus pensamentos, minhas aprendizagens, as ideias e artefatos que vou urdindo. A quem me lê, obrigada, apareça por aqui, vamos na contramão da correria reaver identidades perdidas.


* As ilustrações são da portuguesa Ana Oliveira, criadas para meu blog em 2010, naquele tempo em que a gente fazia troquinhas, lembram? Mandei coisas artesanais para ela em troca das artes. 


sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Ritos, meninos e passarinhos

Hoje Benja realizou seu primeiro funeral de passarinho, na escola. Ele e dois amigos acharam o filhote morto, enterraram, disseram palavras de despedida e cobriram com folhas e galinhos e flores...Hoje ele também teve que lidar com o cético-cinismo do mundo, pois outros meninos duvidaram que havia um pássaro, fizeram riscos na terra dizendo debochados que tinham enterrado um bicho ali também, esparramaram as flores e folhas do túmulo e só não desenterraram o pássaro porque o sinal do fim do recreio tocou.



Quem saberia a autoria da foto do menino e sua sombra?

sábado, 9 de abril de 2016

Porta castanholas, amizades e coisas para aprender.

Eliana Abdo, uma professora e diretora de educação infantil ficou minha amiga através do trabalho com as Bonequeiras sem Fronteiras. Nunca nos vimos mas temos bastante coisa em comum, no entanto Eliana tem muito a mais. Ela tem uma gentileza quase gratuita com as pessoas, uma forma amorosa e amigável de ver as coisas e eu, sortuda, conto com sua simpatia, pelo que agradeço muito mesmo.
E seguindo esta sua inclinação para o que uma outra amiga minha chama de "mimar sem razão aparente", Eliana pediu meu endereço e me surpreendeu com uma caixinha cheia de pedaços de tecido que se não são a minha cara são a nossa!!



Sofri para tomar a decisão de colocar o primeiro deles na "roda", mas a função que lhe foi destinada justificava: com a bela estampa latina de fridinhas fiz meu primeiro porta-castanhola. OLÉ!




A execução carece de perfeição - por exemplo, as fridinhas ficaram de ponta cabeça!) mas... no peito dos desafinados também bate um coração, não é? Quem  quer perfeição não decide aprender a dançar aos 44, então, mais vale a feito do que o perfeito, adoro este lema!



E aí hoje eu relembrei  a  menininha de dez anos saindo orgulhosa de ônibus com sua  bolsinha escrita BALLET em letras floreadas. Assim me senti com meu porta castanholas, que aprendi a fazer com esta simpática "Ana de Pano"DALE!


Estou super empolgada com a dança flamenca e pude neste projeto simples juntar dança e costura, e celebrar as amizades que  vão surgindo no nosso mundo líquido. 


Gracias a la vida!!