
Um dia, em 1997 meu namorado emprestou-me um livro. Coloquei-o na bolsa para lê-lo no longo trajeto de ônibus que eu fazia diariamente até o trabalho. O que aconteceu foi o seguinte: eu, que estava naquele emprego há dois anos sem ter faltado sequer um dia de trabalho, desci do ônibus no centro, telefonei para a empresa fingindo uma doença e passei o dia lendo na biblioteca pública, até chegar à página final. No fim, sem nenhuma culpa, soube que aquele tinha sido um dia bem vivido, um dia que me tornara uma pessoa pelo menos um pouco melhor, nao obstante a mentira e a falta. Eu queria ter agradecido ao Saramago por aquele dia.



Estas corujas estão no 

