quinta-feira, 23 de julho de 2015

Cartas, livros, clipes e amizades.


A postagem de hoje poderia se chamar "Minhas Férias" como as redações clássicas da infância. Será basicamente sobre as coisas em que coloquei atenção neste pequeno intervalo nas aulas. 

Não estou exatamente de férias pois como sou professora substituta preciso de mil e um freelas para poder me virar e abracei alguns projetos que me ocuparam bastante em julho, mas sem as aulas e com o filhote em casa precisei desacelerar e pude fazer algumas coisas que vinha adiando.

A Primeira foi responder algumas cartas. Tenho alguns poucos "pen-friends" com quem mantenho correspondência quase regular, mas aproveitei para escrever também para pessoas a quem eu queria mandar um recado diferente para agradecer ou parabenizar. 


A alegria de escrever cartas ficou ainda maior quando encontrei na Livraria Cultura este adorável livro "Snail Mail" de Michelle Mackintosh, nele a autora recupera a ideia da carta como um objeto de afeto que não pode se perder e traz citações, dicas para cartas em diferentes circunstâncias e um monte de ideias de crafts para deixar as cartas mais pessoais, carinhosas e bonitas.




Nem preciso dizer que com a ajuda do livro eu pirei nas cartinhas!



Reaprendi a secar flores...
Andei pela rua catando brincos-de-
princesa para prensar entre os livros...

Desenterrei minhas tranqueiras de papelaria...
Costurei papel na máquina para fazer pautas...

E tentei dar às cartas a aparência que complementasse o seu conteúdo:



Para a amiga que temporariamente precisou abandonar seu jardim para ajudar a filha em outra cidade uma carta com tema de plantas e Dalai Lama .



Para a amiga que correu atrás de um sonho e decidiu virar confeiteira uma carta cujo envelope fiz com uma receita e que no conteúdo tem toalhinhas de papel e confeitos, enviados numa caixa de aveia.


Ainda estou escrevendo e a ideia é ir aos pouquinhos mandando um recado pessoal que reflita tanto a minha forma de ser como a da destinatária. Isso é a beleza. E a carta na verdade não precisa de fricotes, a simples alegria de encontrar na caixa do correio um envelope escrito a mão com umas linhas pessoais dentro  basta para que um pouquinho de nossa humanidade seja reacordada. 

E por falar em amizade hoje dei um pulinho em um sebo para trocar umas revistas de artesanato por gibis para o Benjamin e acabei por ter uma grata surpresa por dez reais: um livro sobre costura e amizade entre mulheres totalmente ilustrado com fotos de quilts do  American Museum of Quilts & Textiles of SanJose, Californa.


A sobrecapa linda e abaixo um envelope que fiz com propaganda de um livro sobre armarinhos...

Me doeu a dedicatória em letra caprichada: "For my friend Deborah, Merry Christmas'98". O que terá acontecido com esta amizade para que eu hoje encontrasse este livro perdido aqui em Curitiba? Vou imaginar uma história com muitas nuances e uma reconciliação.



Por fim, tudo nestas pequenas férias se resumiu em rever a vida, fazer planos e redescobrir que é mesmo a amizade a melhor parte.

Para fechar as minhas "elucubrações" (citando  a amada Cecília do Quilts são Eternos) vou deixar um tutorial bobinho, com cara de férias rápidas: os clips customizados que usei nas cartas e já andam pela minha agenda e cadernos.

Bobinho mas bonitinho!






Assim...



 

Beijos e até mais!

domingo, 31 de maio de 2015

Oi, tem alguém aí? Se tiver espia: voltei e trouxe tutorial de bolsa para projetos de crochê e tricot

Depois de um intervalo bem grande posso dizer que consegui fazer algumas coisas acontecerem, entre elas: terminei minha tese!!!!! 
Eu depois da defesa posando sorridente com a banca: Dra. Vera Gaspar (UDESC), minha orientedora Dra. Gizele de Souza (UFPR), Dra. Susana Sosenski (UNAM, México), Dra. Dulce Osinsnki (UFPR), Dra. Diana Vidal (USP). Alívio traduz!

O fim do doutorado foi clássico, com muita angústia, noites em claro, tendinites, energéticos, visões da linha de chegada, sacadas incríveis, comer compulsivo, choro, riso e a descoberta daquela força interna que a gente só aciona quando realmente precisa. Por fim valeu muito a pena e o resultado final me deixou muito feliz.
Agora respiro aliviada e posso retomar alguns projetos, escrever mais livremente e tentar outras aventuras. Escrevo muito no facebook mas não acho que seja o melhor canal para me expressar, é tudo muito rápido lá, o espaço para elaborar o texto, o formato é todo muito menos pessoal do que o blog, principalmente para falar de craft, por isso vou aos poucos tentar acordar a cigarra e reaprender a mexer no blog.
No percurso do doutoramento morei alguns meses em Montevidéu e foi uma aventura...lá, sem a máquina de costura  acabei me aproximando das lãs e labores de agulhas. Eles tem uma forte tradição de tecer, as pessoas tricotam em praças, no ônibus, nas repartições, os mercados tem sempre uma gôndola de lã e as lojas de lã são um sonho que vou mostrar aos poucos. 
Jovens tricotam na rambla.

Esta loja é sonho: Las labores.

Modernas e tricoteiras, hahah.

Aprendi um pouco e me apaixonei pela praticidade do tricô e do crochet como crafts portáteis, meditativos e silenciosos...
Esta sou eu no ligeirinho indo trabalhar em Curitiba. O bonde das crocheteiras...

Por isso a primeira postagem P.D. (sim, existe vida após ou doutorado!) é um PAP desta bolsinha muito prática para quem quer carregar seu trabalho de tricô ou crochê por aí e assustar a todos sacando sua agulha de gancho na fila do mercado, no ônibus, no carro (se estiver no banco de passageiros, ok?)...Ela se acomoda no pulso e é muito charmosa.
A bolsinha pronta acondiciona bem um novelo, agulhas e o projeto em andamento. Benjamin cresceu nestes tempos gente!
A ideia foi enviada pela minha amiga cearense Gislene, que foi a primeira a tentar me ensinar crochê e é testemunha que eu não sou um talento natural pra coisa, fui um desastre no começo, gente! Fiquei olhando a foto e fiz um molde, que segue abaixo, pense nele numa folha de A4, se quiser uma bolsa maior é só ampliar.


O tamanho aqui é de uma folha A4. Resulta numa bolsa pequena como a da foto acima. Para mim é ideal, mas amplie se quiser. O molde está sem a margem de corte, um centímetro é o bastante e apenas nas duas laterais. Clique na foto para ler as medidas.
Posicione o molde sobre o tecido principal dobrado, atente que a dobra fica na parte superior do molde, na alça da bolsa. Risque e corte. ATENÇÃO, ao cortar deixe um centímetro de borda para a costura nas laterais.


Vai ficar assim depois de cortada, parece uma fralda!
Posicione a peça cortada sobre o tecido do forro, lado bonito do pano sobre lado bonito do forro, ou direito sobre direito como se diz. Alfinete e corte.
Depois de alfinetado vá para a máquina e costure as duas  laterais, deixando um pé de distância. 

Não costure o fundo da bolsa, que são estas duas partes retas nas extremidades da peça, certo?

Ao redor das partes curvas faça pequenos piques para que ao desvirar a peça fique bem esticadinha.

Fiz uma etiqueta! No algodão cru apliquei um quadradinho de cinco centímetros de papel termo colante, mas antes estampei com caneta permanente! Na minha escrevi I love crochet e na da minha filha (que é boa no tricô e crochet) I  love yarn.

Desvire a bolsa, passe com capricho e aplique a etiqueta.

Costure a etiqueta como preferir.

Agora está acabando! Vire a bolsa com o avesso para fora, alfinete as laterais como na foto  e costure o fundo e as laterais.

O resultado: Para mim fiz a pequena, para minha filha ampliei a base  e lateral em uns oito centímetros pois ela adora carregar mais de um projeto por vez. 

Bem, espero que a gente possa se ver  de novo. Um beijo da cigarra!

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Nada é para sempre, ou...muitas laranjas no ar

Adiei bastante este post mas esta semana, conversando com uma amiga querida e perguntando porque ela andava abatida, ouvi a seguinte expressão: - Andréa, meu problema é ter só dois bracinhos e MUITAS LARANJAS NO AR.
Como o problema dos outros é sempre mais fácil de resolver aconselhei: - Deixa cair, mas sai de baixo...
Depois pensando nisso avaliei que também ando com muitas laranjas no ar: duas filhas ingressando no mundo adulto, um marido que precisa de mim,  filho pequeno, doutorado, decisões sobre uma mudança nada pequena ( e que envolve um estágio de doutorado fora do país), o trabalho com as Bonequeiras sem Fronteiras e a batalha cotidiana para aumentar a renda da minha bolsa de estudos.
Claro que com tudo isso acontecendo os crafts e a minha querida Casca da Cigarra andam meio aos solavancos, sem continuidade, sem leveza...e não eram estes meus planos para este blog nem para as manualidades, que nasceram para que eu me sentisse criativa, útil e não tão só, nem tão isolada num período em que tudo se transformava em minha vida.
Assim, este blog vai ficar descansando por tempo indeterminado. Sentirei saudades mas confesso que me deixa feliz pensar que esta "laranja" vai sair do ar mas que as coisas podem ser transformadas, repensadas retomadas. 
Continuo com minha tarefa de animar e coordenar as Bonequeiras sem Fronteiras, que cresceram desde que comecei isso em fevereiro e que neste momento me absorvem de maneira arrebatadora - eu me encontrei neste movimento de fazer bonecas para crianças "esquecidas pelo mundo, invisibilizadas pela mídia, abandonadas pelo Destino" como disse carinhosamente meu marido Lúcio. 
Agora temos o nosso blog e uma página no facebook para quem sentir saudades... desejo a todos muita serenidade, muita prosperidade e alegria e me despeço com um pouquinho, só um pouquinho de tristeza, mas com muita gratidão por todos que pacientemente ouviram a estridência desta cigarra  até aqui....

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Presente feito à mão para meninos e meninas: Almofada Raposa, kit para a hora de dormir


Dias de correria...eu entreguei um capítulo da tese e nem preciso dizer que entre bloqueios criativos, procrastinações sofridas e coisas da vida em geral me vi numa pressão como a tempos eu não sofria...mas foi, tá entregue e eu achei que não ficou de todo ruim...
Para comemorar decidi fazer umas costuras que estavam faz tempo na lista (uma toalha de mesa com um pano estampado de rosquinhas maravilhoso que comprei na 25 de março e uma lancheira toda linda que depois eu vão ganhar post) e também um presente pro Benjamin levar ao primeiro aniversário na casa de um amigo ♥ para o qual foi convidado.
O presente do Amigo Chico é uma mistura de ideias que ficaram em ebulição na cabeça depois de uma conversa de facebook com umas amigas: fiz um kit pra hora de dormir unindo a ideia da almofada raposa (facinha, tutorial aqui) macia de flanela xadrez,com a ideia do porta pijama + livro (acho que fui  eu fui  quem inventou isso, heheheh) num bolso atrás da raposa ...tudo meio dentro da vibe do Pequeno Príncipe. Saiu muito barato, o mais caro foi o livro de 17 reais e ficou um presente diferente, que poderá não ser o favorito na hora da festa com todos os brinquedos legais que vão aparecer, mas que depois, de noitinha,quando o cansaço bater será bem aconchegante...Acho que  vai cativar.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Feito à mão: turbante chiquérrimo!

Acho que todo mundo conhece alguém que conhece alguém que está em tratamento contra o câncer. Este ano experiências fortes com pessoas muito próximas me colocaram em contato com este universo do tratamento, das lutas diárias, das adaptações. Vivi isso com amigos homens, mas recentemente minha sogra me pediu ajuda para comprar um turbante bonito para uma amiga que estava perdendo o cabelo pela quimioterapia e que não se adaptara a lenços e gorros.
Isso do cabelo, da vaidade, pode parecer uma bagatela quando estamos falando de lutar pela própria vida, mas sinceramente, não é...lidar com a auto imagem e achar formas de sentir bela mesmo sem um fio de cabelo é um exercício de fortalecimento interno.
Saí a procura de um turbante bonito, mas eles são raros e caros. Decidi tentar achar um tutorial para fazer eu mesma e pedi ajuda ao grupo "dividindo ideias", no facebook. Na busca encontrei muitas fotos lindas deste acessório em diferentes épocas, mas tutorial mesmo, nada...Uma amiga do grupo localizou uma explicação em inglês com um esquema desenhado e bem pouco explicativo, mas que me possibilitou chegar a um modelo que eu achei bonito e fácil de fazer.
Fiz em plush pérola, pois queria uma cor que iluminasse. A borboleta foi uma lembrança de que momentos de transformação podem nos tornar mais fortes e lindas. Fiz um preto também, sem nenhuma biju, mais sóbrio e super chique! Agora que está esquentando vou fazer um de viscose fresquinha. Minha sogra me contou que dias depois de ter entregue os turbantes sua amiga lhe ligou para dizer que não poderia nunca esquecer deste presente, que se sentia aconchegada e bela com os turbantes e que eram também uma prova de delicadeza e amizade... Chorei, claro...
Fotografei os passos da confecção e partilho aqui num passo a passo bem tosco mas que pode ser útil para alguém, então fiquem à vontade para usar, partilhar e perguntar se preciso, ok?

1- Corte 3 retângulos: um  com 55cm por 23 cm; um pequeno com 13 x 10 cm e um último com 55cm por 13 cm.

2- Dobre o  retângulo de 55 X 13 cm ao meio no sentido do comprimento de modo que o lado bonito do tecido fique para fora. Alfinete e costure à máquina com ponto zig-zag.

3- Una a tira costurada ao lado avesso do retângulo maior. Alfinete e costure à máquina.

4- Dobre ao meio a peça composta pelos dois retângulos unidos, lado direito do tecido sobre lado direito.


5- Esta parte vou mostrar no tecido claro para que fique mais nítida: trace esta forma meio quadrada com uma das pontas arredondadas observando que a borda do turbante fique para baixo como na foto.
6- Costure por sobre o traçado e na lateral oposta deixando uma pequena abertura na altura indicada pelas  flechas da foto.


7- Desvire o turbante e terá algo assim...

8- Pela fenda passe uma tira feita com o retângulo pequeno. Junte as pontas da tira e costure com seu melhor ponto manual e posicione a costura na parte de dentro do turbante para que não apareça.   Isso dará a forma e será o detalhe do centro do turbante.  Eu fechei o pequeno espaço que sobrou da fenda com pontinhos a mão.
9- Para finalizar faça pregas à mão na parte de trás do turbante. Sem estas pregas ele fica uma touca bem esquisita.  É só dobrar, alfinetar e dar um pontinho bem sobre a costura central.

10- As pregas darão o drapeado elegante de nosso turbante.
11- Dá para perceber o efeito das pregas nesta foto? É o pulo do gato!
O turbante está pronto, mas se quiser enfeite com pedrinhas, bordados ou uma biju como eu fiz... 

PS: como esta será uma semana especialmente decisiva para meu irmão em seu tratamento peço seus melhores pensamentos, energias e preces, se puderem, ok? Isso também sempre ajuda!